quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Carnaval, a festa cósmica das danças

Desde as mais distantes eras, diferentes povos estabeleceram festas de grande alegria. Assim, encontram-se entre os egípcios as festas de Ísis e do touro Ápis; bacanais entre os gregos; lupercais e saturnais entre os romanos. Todas envolviam festins, danças e disfarces. Embora seja muito difícil caracterizar a origem verdadeira do Carnaval, parece que nossos atuais festejos estão intimamente associados às duas últimas festas romanas.
Logo após o início do Ano-Novo, os romanos, nas calendas de janeiro, comemoravam as saturnais, festas instituídas por Janus em memória do deus Saturno que, segundo a lenda, teria transmitido a arte da agricultura para os italianos. Durante as saturnais, as distinções sociais não eram levadas em consideração. Os escravos ocupavam os lugares de seus patrões, que os serviam à mesa. Nesse período não funcionavam os tribunais e as escolas. Os julgamentos eram suspensos e os condenados não podiam ser executados. Interrompia-se toda e qualquer hostilidade. Os escravos percorriam as ruas cantando e se divertindo na maior desordem. As casas eram lavadas e purificadas. As pessoas de um certo nível social preferiam se retirar para o campo, durante as saturnais, o que permitia ao povo celebrar com maior alegria esse período de liberdade.
Numa seqüência lógica aos excessos libertários, os romanos procediam à sua purificação pelas comemorações das lupercais, festas celebradas em 15 de fevereiro, em homenagem ao deus Pã, matador da loba que aleitara os irmãos Rômulo e Remo, fundadores de Roma, segundo a lenda.
Nesses festejos, celebrava-se o princípio da fecundidade. Durante as comemorações das lupercais, untados em sangue de cabra e lavados com leite, os lupercos nus, com uma pele de um bode aos ombros, saíam pelas ruas batendo nos pedestres com uma correia de couro. As mulheres grávidas saíam às ruas e se ofereciam às correadas, na esperança de escaparem das dores do parto. Por outro lado, as mulheres com desejo de ter um filho também procuravam ser atingidas pelos golpes das correias dos lupercos, na esperança de virem a engravidar.
Como todos esses festejos, que consistiam essencialmente em mascaradas, disfarces e danças, já estivessem de tal modo implantados nos costumes quando do surgimento do cristianismo, a Igreja só teve uma saída: adotou-os e ao mesmo tempo, procurou santificá-los.
De fato, o Carnaval parece ter tido sua origem nessas antigas comemorações pagãs, em geral de grande alegria e liberdade, que eram celebradas durante a passagem do ano e/ou com objetivos de anunciar a próxima chegada da primavera. Com efeito, Carnaval era o tempo de regozijo, que ia desde a Epifania até a Quarta-feira de Cinzas. Com o tempo, essa festa acabou limitada aos últimos dias que antecediam ao início da Quaresma, período de 40 dias que vai da quarta-feira de cinzas até o domingo de Páscoa, e durante os quais os católicos e ortodoxos fazem sua penitência.
O período carnavalesco oscilou e ainda oscila segundo as tradições de cada país. Assim, parece que ele se iniciou primitivamente na Idade Média, em 25 de dezembro, incluindo a festa de Natal, o dia do Ano-Novo e a Epifania (6 de janeiro). Mais tarde, passou a ser comemorado desde o dia de Reis até um dia antes das Cinzas. Em alguns lugares da Espanha, sua comemoração incluía a quarta-feira de Cinzas. Em alguns países, só se comemora na terça-feira, ao passo que no Brasil é festejado no sábado, domingo, segunda e terça-feira.
Na Bahia, comemora-se o Carnaval também na quinta-feira da terceira semana da Quaresma. Trata-se da micareta, festa popular carnavalesca que tem sua origem na Mi-carême.
Esses festejos de janeiro e fevereiro, ligados às antigas cerimônias pagãs de abertura do ano, foram associados, como já demonstraram os peritos em folclore, às festas cristãs. Não eram simples rituais desprovidos de significação mais profunda, como se poderia supor inicialmente. Na verdade, as festas populares cíclicas dos países cristãos, que serviam para abrir o ano e anunciar a vinda da primavera, estão todas elas intimamente associadas ao fenômeno astronômico do solstício de inverno, no Hemisfério Norte, de onde surgiram todas essas práticas. As igrejas católica e ortodoxa herdaram tais festas ou rituais do mundo pagão, que por seu lado, as teria recebido do Oriente. Assim, na realidade, todos os festejos cíclicos, como o próprio Carnaval estariam associados às regiões que apresentam as mesmas mudanças metereológicas. Ao contrário, em virtude da inversão das estações entre os hemisférios, as festas do Carnaval, comemoradas durante o inverno no Hemisfério Norte são celebradas, no Hemisfério Sul, em pleno verão.

Texto extraído de: MOURÃO, RONALDO R. DE F. O Livro de Ouro do Universo, Ediouro, Ri o de Janeiro, 2000, pp. 49-51.(*)

(*) Excelente livro de divulgação científica, pena que a revisão foi muito mal feita e por isso há vários problemas tipográficos.


Pois é, lendo a história acima vemos que a humanidade não evoluiu espiritualmente quase nada em 25 séculos, do jeito que as coisas andam não pode ter evoluído mesmo, por isso há alguns anos cheguei à conclusão que o carnaval é a melhor época para se ler livros, pois se fica em paz quando o resto do mundo vai para a esbórnia. Aproveitei este carnaval para devorar a Autobiografia de Bertrand Russell (três volumes) que demorou aproximadamente um ano para chegar em minhas mãos, sua leitura me foi recomendada por um físico da USP, o prof. Henrique Fleming, e agora a recomendo a todos que se dizem humanos.

3 comentários:

amanda moraes. disse...

imagine se todos os "humanos" se isolassem no carnaval para ler a Autobiografia de Bertrand Russell?!
a grande ilusão do carnaval é linda, Kris, e nos dá a oportunidade de sorrir durante quatro dias, e de amar sem limites. deixemos a Autobiografia para ser lida nos 361 dias restantes. o que podemos fazer se o carnaval representa o que questa da alegria existente no mundo para a maioria das pessoas, que assim como eu, espera 365 dias por 4?! :)

Kynismós! disse...

Ué, imaginei, seria uma sublime semana de paz. :)
Ué de novo, pensei que existisse outras maneiras de sorrir durante quatro dias, e de amar sem limites. :)

Anônimo disse...

Nunca gostei de carnaval, pq acho uma idiotice vc perder seu tempo, pra ver um bando de vagabundos bebados.
As pessoas saem de suas casas no intuito de ser divertirem e as vezes nem voltam pra ela,sempre tem um marginal drogado que vai querer te assaltar, e arrumar confusão por nada só pra ver a morte do coitado que geralmente não fez nada de errado, só estava em um lugar cheio de gente podre.
Realmente são 4 dias, mas e dai,o Brasil já tem 500 mil feriados mesmo.!
Mas quem gosta deve ir mesmo, encher os bolsos dos ricos e se arriscar por nada, simplesmente pq adoram a futilidade...